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Por Carlos Maestre, Pizza Fria

SkateBird | Review

SkateBird é um jogo de skate de dedo com canarinhos e outras aves fazendo as vezes do skatista. Descubra se esse conceito aparentemente divertido vale a pena!.

Se SkateBird fosse um restaurante, provavelmente seria reconhecido por servir gastronomia fusão, ou fusion cuisine, como muitos falam, gastronomia que mistura elementos com origens nacionais, regionais e culturais completamente diferentes. O nome entrega que este é um jogo de passarinhos sobre skates.

Já pensou um Tony Hawk’s Pro Skater ou Skate só que com canarinhos coloridos sobre aqueles skates de dedo e com pistas feitas sob medida com objetos como cadernos, cadeiras e rolos de papel higiênico?

SkateBird é isso aí! Um jogo da desenvolvedora e editora independente Glass Bottom Games que chega a múltiplas plataformas: aos consoles Xbox e Nintendo Switch; ao serviço Amazon Luna; ao PC com macOS, Linux e Windows 10 por meio de Steam e Itch.

O jogo será lançado neste dia 16 de setembro de 2021 e também chega ao catálogo do Xbox Game Pass (para consoles Xbox One e Xbox Series X|S e computadores com Windows 10).

Daqui pra baixo você descobre na análise do Pizza Fria se vale a pena jogar SkateBird!

DISCLAMER!

Joguei SkateBird com o Nintendo Switch na doca, usando Joy-Cons, Pro Controller oficial e outro licenciado da PowerA. A experiência descrita foi a mesma.

Desenvolvido em Unity, SkateBird tem uma abertura bacana, uma ideia bacana, toneladas de personalização e de opções, mas falhou miseravelmente quando entrou em movimento.

A adaptação para o console da Nintendo ficou a cargo de Plastic Fern Studios e, a partir dessa bifurcação, não tenho certeza se os problemas aqui relatados são específicos do console ou se são compartilhados com a versão para computador.

SkateBird – o título e a tela inicial dizem tudo. TUDO! (Imagem: Reprodução/Switch)
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Precisamos falar sobre SkateBird

Olha, eu sei que Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 Remastered saiu, mas… eu gosto mesmo da franquia Skate, e sei muito bem, por um lado, por que queria fazer uma análise de SkateBird. Um novo jogo de skate é uma ótima ideia pra quem se sente órfão do gênero e que passou dos 30 com joelho e tornozelo avariados.

A estética zoeira de ter passarinhos com óculos e bonés ou chapéus de bruxo sobre fingerboards em parques de skate criados dentro da sala é um presentão, daqueles que a gente olha e ri só de ver, mesmo sem jogar.

Vamos lá, SkateBird era promissor!

Encontre pássaros de diversas espécies para ganhar missões e prosseguir. (Imagem: Reprodução/Switch)

Por outro lado, nem sempre a aposta se paga. Volta e meia me vejo em conversas com pessoas ligadas com games de alguma forma, sejam jornalistas, sejam jogadores ou entusiastas. Numa dessas conversas recentes, surgiu a infindável discussão sobre gráficos, ou som, ou história serem elementos mais importantes. Acho que até vi uma enquete sobre qual critério seria o importante.

Ironicamente, foi SkateBird responsável por deixar claro que o primeiro critério importante é a jogabilidade. E jogabilidade é um critério que pode ser amplo, então deixo minha pequena descrição. Assim, você e eu estaremos na mesma página.

Pra mim, jogabilidade diz respeito à qualidade dos controles e como sentimos o jogo em movimento e a navegação pelo cenário. Isso mistura uma parte mecânica e uma parte sensível que envolve nossa percepção: é a qualidade do mundo desenhado e quão natural ele é para a proposta do jogo. Jogabilidade é esse refino que nos dá prazer ao jogar com as mãos no controle; é quando os comandos na tela se tornam uma extensão natural do seu corpo, jamais truculenta.

Carregue o marcador “FANCY” para ter mais velocidade e um multiplicador de pontos. (Imagem: Reprodução/Switch)

SkateBird: burly nest fall

Eu só queria um jogo bacana de skate. Burly, no jargão do skate, é uma manobra de altíssimo risco que, se executada sem sucesso, causa ferimentos graves. “Burly nest fall” seria algo como “queda violenta do ninho” e é o nome que eu daria pra esta crítica e para a manobra fictícia.

A esta altura, você provavelmente já percebeu minha decepção. Agora, deixa explicar os por quês.

Entre as informações dadas pela guia para análise de SkateBird (sim, essas coisas existem), o jogo é colocado no gênero “um jogo de skateboarding sobre tentar fazer o seu melhor”. Escrito por Megan Fox (uma homônima da atriz e idealizadora do jogo), o material fala como este é o resultado de três anos de trabalho após uma outra tentativa falha.

Foi com a exibição na E3 2019 que o financiamento coletivo por Kickstarter para SkateBird começou a voar (perdão). Será que foi esse o começo da burly nest fall?

Os tutoriais são rapidinhos e o jogo conta com um salto duplo (um segundo ollie). (Imagem: Reprodução/Switch)

Uma missão, cinco fases

SkateBird começa com um conflito nada necessário para estimular a jogatina. Aparentemente os passarinhos se sentem abandonados porque o Amigão (“Big Friend”), o humano, não passa mais tempo em casa.

Ora, ora… qual seria a melhor maneira das aves chamarem a atenção senão organizando o quarto com a ajuda dos skates de dedo?

Por cinco fases, você descobrirá o que aconteceu e elaborará um plano com outros canários, araras e corujinhas para que o Amigão nunca mais volte ao escritório e fique mais tempo em casa.

O jogo não é demorado, umas sete horas para fazer tudo, incluindo encontrar todos os segredos. Existe até um sistema de Troféus/Conquistas integrado no Switch! O problema é a jogabilidade – aproveitando a deixa, vamos lá!

Apesar dos problemas, os desenvolvedores incluíram várias opções de acessibilidade e de configuração. (Imagem: Reprodução/Switch)

A jogabilidade em um jogo de skate: brilhar ou brilhar

As fases funcionam como micromundos. Elas têm layouts de alguma forma até interessantes para andar com seu carrinho e contêm segredos, um mecanismo clássico nos jogos do gênero.

Se THPS tinha as fitas VHS, SkateBird tem Mixtapes, além de vários estilos de roupas, decks e rodinhas coloridas.

Outro componente são as missões, que estão marcadas no minimapa pelos pontos dourados (obrigatórias) e azuis (opcionais em sua maioria) em uma pegada similar à da trilogia Skate, da EA Black Box.

Por falar em missões, temos as clássicas que esperamos em um jogo do tipo: recolha as letras M-O-N-E-Y (“dinheiro”) em ordem, salte um gap pelo cenário, faça um corrimão específico, recolha itens. Tudo dentro do tempo.

E até aí tudo bem.

Foi concluir a vasta personalização e… quando o controle era meu…

A desastrosa câmera já se fez presente. Bruta, sem suavidade alguma. Aceleração e frenagem são golpes na tela – tanto da câmera, quanto do canarinho. Por falar no canarinho…

A câmera é seu pior inimigo quando os controles já parecem os de um veículo pesado. (Imagem: Reprodução/Switch)

Dificuldade é importante em jogos de skate, mas eu não me sentir manobrando um caminhão cegonha abarrotado de veículos pesados!

A regulagem padrão da barrinha de equilíbrio para um manual, por exemplo, é veloz demais. Felizmente, SkateBird apresenta muitas opções de acessibilidade e conta com pontos de checagem para resetar o personagem (mais uma vez, como em Skate) e reposicioná-lo.

Se você vencer a física do jogo, você passará algumas missões. E, sim, liguei assistências a rodo para sofrer menos.

Pessoalmente, prefiro o jeitão com dois analógicos de Skate para fazer todo tipo de manobra que a combinação de um botão com uma e direção. SkateBird meeeeeeeeeeio que segue esta segunda? Eu ainda não entendi como executar especificamente a manobra desejada.

No geral, temos um botão para Ollies (saltos), outro para Grabs (manobras com a prancha segurada), um terceiro para Flips (giros da prancha sem segurá-la) e um último para Grinds (para conectar com o corrimão).

O pássaros às vezes passa por cima da letra e nem sempre a recolhe… (Imagem: Reprodução/Switch)

A coisa mais legal em todo SkateBird é a inclusão de um salto duplo, já que nosso esportista alado deveria voar. Faça um ollie e aproveite a altura máxima para “saltar” novamente! O bater de asas garante altura e distância adicionais, além de um bem-vindo e merecido respiro pra nos afastar da jogabilidade travadona.

Para ser mais veloz, encaixe manobras consecutivas para preencher o medidor em formato de ovo com clara e gema e o escrito “Fancy” (em português, “chique”). Com a gema preenchida, o canário está na velocidade máxima e ganhará mais pontos, assim como atingir mais altura ao decolar de half pipes.

E apesar da falta de requinte geral, é bom ver que o time pensou nas opções e em vários critérios de acessibilidade.

Não só é possível configurar em detalhes os diversos volumes de música e de efeitos sonoros específicos (como de ambiente, piados, skate, interface), mas também escolhemos executar manobras automaticamente após um ollie, a velocidade na qual o jogo roda, o campo de visão da câmera e equilíbrio do skatista. São muitos critérios e liguei vários para facilitar a truculenta saga.

Outro elogio válido, mas que infelizmente não soluciona o problema basilar, é a facilidade de fazer transfers, de sair de um quarter pipe para o outro lado, por exemplo. Acho que é mais simples em SkateBird que em qualquer outro jogo sobre rodinhas.

Existem diversas peles (skins) de pássaros diferentes que vão desde corujas, até canarinhos e araras. (Imagem: Reprodução/Switch)

Gráficos e sons

O material de divulgação é maravilhosamente ilustrado e divertido. Contudo, a ambição de fazer um jogo independente em três dimensões precisa, às vezes, ser dosada.

Os modelos poligonais são simples e as texturas são absurdamente genéricas – do pouco que sei modelar, o principal crime aqui é a falta de overlays, ou seja, as sobreposições para criar variedade visual e evitar uma repetição infinita.

Para entender melhor, imagine o seguinte exemplo: uma textura de carpete que, mesmo sem afastar a câmera, você nota a cópia constante e cansativa de uma ponta a outra. Se ao menos fossem colocadas algumas rusgas ou sujeitas, alguma coisa pra deixar tudo natural…

Inevitavelmente, todo o ambiente fica com uma carinha de inacabado.

As texturas dos cenários são lavadas e extremamente repetitivas. (Imagem: Reprodução/Switch)

Por outro lado, as fascinantes opções de personalização da ave são beeeeeem variadas. Todas compartilham o mesmo corpinho redondo de pombo obeso com uma camada de textura diferente. São canários de várias cores, corujas, araras, papagaios…

Ver a movimentação ágil e o bater de asinhas para ganhar impulso é divertido e aposto que um filtro cel shading consertaria as texturas insossas.

A trilha sonora, por outro lado, se revela o melhor aspecto de SkateBird, pois inclui músicas originais e licenciadas. No menu principal, jogadores ainda têm a chance de configurar suas respectivas playlists e, a cada fita cassete encontrada, novas músicas são liberadas.

Tá vendo aquela fita cassete lá? Os parques de skate são cheios de segredos. (Imagem: Reprodução/Switch)

Entre influências de estilos musicais, que os criadores chamaram de “bird-hop para andar de skate”, estão o rap, jazz, funk e até ska, para ressoar com a cultura atual.

Entretanto, as músicas licenciadas ficaram de fora do serviço Amazon Luna, ainda que os colecionáveis secretos ainda estejam espalhados pelas fases.

Por fim, vale ressaltar que a jornada é para um único jogador, sem qualquer modo multijogador local nem online.

“Não… consigo… mais…” (Imagem: Reprodução/Switch)

Vale a pena jogar SkateBird?

Ultimamente adotei uma frase do poeta Walter Whitman como mantra – “Seja curioso, não crítico” – o que é engraçado porque o princípio fundamental destas análises é a crítica para informar você, como leitor, sobre um produto.

A ideia por trás da frase é sempre perguntar, “Por quê?”, antes de apontar dedos. Entender as diferenças ou falhas, para garantir que não passou nada, antes de atacar ou diminuir.

Tenho a certeza de que a Glass Bottom Games é um estúdio pequenino com punhado de gente envolvida e outros poucos colaboradores. Reforço que também não tenho noção se versões para computador e consoles Xbox têm desempenho igualmente trágico como do Switch.

Já que a precisão do controle e da fluidez impera quando se trata de jogos de esporte, ainda que sejam zoados, fica muito difícil de recomendar o jogo no estado atual – SkateBird foi um dos piores jogos que rodei no meu Switch.

Hora de voltar para OlliOllie: Switch Stance enquanto a continuação OlliOlli World não chega. Ou de começar minha carreira de game dev.

*Review elaborada em Nintendo Switch com código fornecido pela Glass Bottom Games.

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Por Carlos Maestre, Pizza Fria

Atualizado em 15 Set 2021.