Exposição
Por Redação Guia da Semana

Tempo de Reação - 100 anos do goleiro Barbosa

Mostra conecta a posição de goleiro, a trajetória de Barbosa e a causa antirracista.

Foto: Acervo Museu do Futebol | Coleção Moacyr Barbosa (via assessoria)

Tempo de Reação - 100 anos do goleiro Barbosa

Preço R$10.00 a R$20.00

Data 19 Jun-19 Dez

Preço(s) R$ 20,00 Inteira | R$ 10,00 Meia * acesso exclusivamente mediante compra antecipada com horário marcado

Horário(s) de terça a domingo, das 11h às 18h (entrada até 17h)

Endereço
Museu do Futebol
Praça Charles Miller, s/n,

No dia 19 de junho inaugura no Museu do Futebol a exposição "Tempo de Reação - 100 anos do goleiro Barbosa", que homenageia goleiros e põe Barbosa no centro do debate sobre o racismo no Brasil.

Tempo de reação é o nome dado ao momento que o goleiro leva para iniciar o movimento da defesa após perceber um ataque em direção ao gol. É um fundamento básico para o goleiro, posição que completa 150 anos de existência em 2021. Na nova exposição temporária do Museu do Futebol, a expressão ganha outra dimensão ao trazer o goleiro Moacyr Barbosa (1921-2000) para o centro do debate.

O arqueiro teve uma longa trajetória profissional, com grande sucesso nos times em que atuou, mas a memória sobre sua carreira é ainda aprisionada à derrota do Brasil na Copa do Mundo de 1950. No ano em que completaria 100 anos, ele tem sua trajetória recontada sob outra perspectiva.

Com o auxílio das lembranças e do acervo preservados por Tereza Borba, sua filha adotiva, os curadores problematizam a narrativa hegemônica da responsabilização do goleiro pelo "Maracanazo". A partir daí, discutem-se também as consequências dessa narrativa para a história do futebol e para a trajetória do próprio Barbosa, evidências do racismo que estrutura o futebol e a sociedade brasileira. As reflexões e debates propostos pela mostra convidam o público a agir para mudar essa estrutura - pois o “tempo de reação” ao racismo é agora.

A mostra é um ponto de inflexão na agenda antirracista assumida pelo Museu do Futebol desde sua fundação, e que se aprofunda agora ante os acontecimentos de 2020, como o movimento Vidas Negras Importam.


História e interatividade

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A exposição também apresenta histórias e curiosidades sobre a posição do goleiro e sua evolução ao longo das décadas, além de, claro, muitas defesas espetaculares. Zetti, Jefferson, Thaís Picarte, Luciana, Carla e vários outros goleiros e goleiras dão depoimentos nos vídeos expostos ao longo da exposição.

As experiências interativas, que são uma marca do Museu do Futebol, também estão presentes na mostra. Na instalação “Visão a Contracampo”, o público se coloca sob uma trave de tamanho oficial, como se fosse o goleiro. À sua frente, numa tela de dez metros de largura, o visitante-goleiro vê os jogadores do time adversário pressionando a defesa, em jogadas em movimento, cobrança de falta e de pênalti.

Em outra instalação interativa, a “Rádio Grande Área”, o visitante escolhe uma defesa memorável de Jefferson, Dida ou Bárbara, das seleções brasileiras, para gravar uma narração em áudio, como se fosse um locutor de rádio. O material é enviado ao visitante por email, na sequência. Detalhe importante: por conta da pandemia de coronavírus, a instalação funciona por comando no celular do visitante, sem toque em nenhum equipamento do museu.


Raridades

Entre os objetos expostos, como fotografias de Barbosa, luvas de Aranha e das goleiras Thaís e Monique, e camisas de goleiro clássicas, destaca-se um pedaço das traves utilizadas no Maracanã na Copa do Mundo de 1950. Feitas de madeira e com quinas quadradas, as balizas que testemunharam o “Maracanazo” foram substituídas em 1968 para atender ao novo requisito que previa traves cilíndricas e de ferro nos campos oficiais. Os gestores do Maracanã chamaram Barbosa e a imprensa para marcar a troca e registrar o momento em que o goleiro tirou com as próprias mãos a trave que o abrigou em momentos marcantes de sua carreira.

Reza a lenda, alimentada por jornalistas da época, que uma das balizas ficou com Barbosa e ele a teria queimado anos depois como lenha para churrasco. O certo é que a outra seguiu para a pequena cidade de Muzambinho, no interior de Minas Gerais, e foi utilizada no campo amador da cidade até virar acervo da Casa de Cultura local. Este pedaço, doado pela instituição a Tereza Borba em 2014, agora será exibido na nova exposição do Museu do Futebol.

Mapa do local